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publicado por Helder, em 30.12.10 às 14:57link do post | | | favorito

A saga Legend of Zelda é uma das mais antigas, emblemáticas e influentes no mundo dos videojogos. Uma das jóias da coroa da gigante japonesa Nintendo, a lenda começou a 8-bits em meados dos anos 80. Na época era o mais ambicioso jogo de aventura jamais criado, com uma progressão não linear num mundo enorme, o reino de Hyrule. Vestindo a pele do elfo Link de orelhas pontiagudas e túnica verde, o jogador tinha de explorar e tentar encontrar o seu caminho por cavernas, castelos e catacumbas, e encontrar itens que o ajudassem na sua missão, salvar a princesa Zelda e o reino de Hyrule. Tão grande era a tarefa em mãos, que se tornava impossível completá-la numa só sessão de jogo, pelo que The Legend of Zelda foi dos primeiros jogos com memória no cartucho disponível para salvar o nosso progresso e continuar mais tarde.


 

Nintendo NES (1986) > The Legend Of Zelda


O jogo foi um grande sucesso a nível mundial e as sequelas não demoraram a chegar. Não houve uma consola da Nintendo lançada desde então que não tivesse pelo menos uma nova iteneração do franchise e a qualidade destes jogos atingia novos patamares de excelência. Destaco The Legend of Zelda: A Link to the Past para a Super Nintendo, o mítico The Legend of Zelda: Ocarina of Time para a Nintendo 64 que levou a cabo a ambiciosa tarefa de transpor o jogo para 3D ou mais recentemente The Legend of Zelda: Phantom Hourglass para a Nintendo DS.

Mas o jogo de que vos quero falar hoje é Twilight Princess, de longe o Zelda que mais me marcou. Lançado em 2006 para a Nintendo GameCube e Wii,o jogo pretendia satisfazer os fãs que pediam um Zelda mais realista e sóbrio, depois da explosão de cores dandy fruto da técnica cell- shading que havia sido The Wind Waker. E esse objectivo foi cumprido, e com estilo. Um estilo noir e quasi-burtonesco, um aspecto gráfico realista e mais conservador e o Link mais adulto até à data. Finalmente a tecnologia permitia uma realização artística desta natureza através das capacidades avançadas da Nintendo GameCube bem evidenciadas neste jogo. Twilight Princess foi a canção do cisne, a despedida da consola cúbica em grande estilo e a entrada em cena da Wii, a nova aposta da companhia de Quioto.



The Legend of Zelda: Twilight Princess (2006)


Há algo de muito especial em Zelda: a imersão do jogador no jogo. Esta é potenciada pela personagem principal Link (que pode ser renomeada com o nosso nome) e a sua personalidade ou falta dela. Link é o herói dos arquétipos,corajoso,bondoso,calmo, o orfão de proveniência desconhecida adorado por todos, que vive sozinho numa casinha de madeira numa pequena aldeia nos confins do reino. Em Twilight Princess trabalha no rancho de Ordon com a ajuda da sua fiel égua Epona, as crianças adoram brincar com ele e Ilia, a filha do prefeito cora sempre que o vê- umas nuances de romance teenager que aligeiram a história.

Mas talvez a maior particularidade de Link seja que toda a gente fala com ele e ele ouve pacientemente sem retorquir. Link não fala. Será mudo? A narrativa nunca tentou sequer explicar-nos isto, mas aparte de uns “huh”, “hey” entre outras onomatopeias, Link é caladinho e submisso. A razão para isto para mim é clara e é um dos chavões que fazem do franchise o que ele é ainda hoje em dia: O facto de Link não falar, cria um vazio na sua personalidade, um herói desprovido de ego, vazio esse que subconsciente e intuitivamente o jogador preenche com o seu. Porque todos nós queremos ser Link, confesse-mo-lo. Link é o elo, a ligação entre o jogador e o universo do jogo. Passadas umas semanas a jogar a sério Twilight Princess, ele havia de facto penetrado na minha mente, passava os dias a pensar no que se seguiria no jogo, sonhava com soluções para os puzzles das dungeons e nos meus sonhos eu tinha cabelo louro, orelhas pontiagudas e uma túnica verde. Sim, pode-se dizer que fiquei bastante apanhado pelo jogo.

É difícil explicar mas a maior arma que temos ao nosso dispor em Zelda, não é a espada, o arco, as bombas, a bola e a corrente, o boomerang entre outras que teremos a oportunidade de usar, mas sim o raciocínio lógico. Porque a maior parte da acção decorre em espaços confinados a que os veteranos de Zelda chamam dungeons. Podem ser cavernas, castelos, catacumbas, cidadelas flutuantes no céu (estou a revelar demasiado com esta!) que no fim tem um inimigo poderoso para defrontar-mos e um item que nos permitirá prosseguir na aventura em dado contexto. Portas que não abrem sem uma dada chave, engenhos que reagem ao nosso peso, pontes móveis numa dada cadência, um calhau não é colocado ao calhas numa dungeon, e cabe-nos a desvendar o fio à meada e revelar o novelo em sequência. O aspecto do combate, é giro sim senhor, sobretudo se jogarem a versão Wii como eu, que tem controlos por movimentos adaptados, mas depressa se aperceberão que é secundário. Não se perde muitas vidas em Zelda (a não ser que sejam nabos), os bosses são facilmente derrotados uma vez descoberto o seu ponto fraco, excepção seja feita ao penúltimo e último, mas esses tinham de dar algum desafio.

Em Twilight Princess temos uma dimensão paralela, o Twilight Realm e o seu misterioso rei Zant que pretende fundi-la com a nossa, e da luz e do crepúsculo criar a verdadeira escuridão. Link ao entrar nessa dimensão das trevas, transforma-se em lobo, o que pode ser um perfeito disparate, mas é bastante interessante de se jogar e conhece uma estranha criatura chamada Midna que o irá ajudar ao longo da história. O Twilight Realm contrasta com o mundo de Hyrule, em Hyrule tudo é vivido e verdinho, no crepúsculo a palete de cores é bem mais mórbida, tudo é triste e decadente, quase como se entrássemos num filme do Tim Burton.

Para mais detalhes da história, nada como jogar Twilight Princess e apreciar esta obra-prima dos videojogos, que anos passados desde o lançamento continua imprescindível a qualquer possuidor de uma Wii e a um preço bem simpático. A versão GameCube se forem puristas, também pode ser, se bem que deve custar agora um preço um tanto exorbitante, uma vez que deixou de ser produzida e é artigo de coleccionador.

sinto-me: Com vontade de jogar..
música: Apocalyptica - Zelda Main theme

Anónimo a 30 de Dezembro de 2010 às 17:46

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