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publicado por Helder, em 30.11.10 às 23:13link do post | favorito

Julian Assange está a tornar-se o inimigo público nº1 do governo dos E.U.A. A diplomacia norte-americana está em crise e a secretária de Estado Hillary Clinton em particular, ficou muito mal na fotografia. Pobre Hillary! O matemático,físico, programador e ex-hacker australiano voltou a fazer das suas.

 

Ao que parece o mais recente projecto do activista da Web – o WikiLeaks – tem vindo a trazer ao conhecimento do público certos documentos secretos que demonstram o desrespeito dos nossos amigos yankees pelos direitos e soberania dos outros. Há alguns meses, tivemos revelações atrozes sobre verdadeiros crimes de guerra cometidos no Iraque e Afeganistão, que foram claro está, abafados pelas altas chefias militares. Torturar prisioneiros de guerra com choques eléctricos nos orgãos genitais, matar civis inocentes e coisas similares passariam incólumes. É o velho lema do “Don't ask, don't tell”.

 

Esta semana o WikiLeaks voltou à carga, naquela que é considerada a maior fuga de informação confidencial de todos os tempos. Senão vejamos:

 

  • Os E.U.A apoiaram financeiramente o PKK, um partido terrorista da Turquia;

  • Os serviços secretos norte-americanos estavam destacados, pelos vistos por ordem directa de Hillary para espiar líderes mundiais como a chanceller alemã Angela Merkel ou mesmo o secretário-geral da Nações Unidas, Ban Ki-Moon;

  • Opiniões pouca abonatórias de Vladimir Putin e Silvio Berlusconi: um é autoritário e controla a Rússia através do seu fantoche na presidência, o outro é machista e “dá festas selvagens”.

  • Tentativas de negociações com diversos países da América Latina com um objectivo comum: afastar Hugo Chávez do poder na Venezuela.

  • A China de facto orquestrou um ataque aos servidores da Google para espiar empresas e governos ocidentais.

  • O rei da Arábia Saudita apela aos E.U.A para invadirem o Irão. Segundo ele, se o Irão desenvolve armas nucleares, todos os países na região farão o mesmo. Uma invasão militar peremptória parece uma menor ameaça que um Irão nuclear, ideia que é partilhada por governantes de países como os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein;

  • O senhor da Líbia, Muammar al-Gaddafi, é “extremamente dependente da sua enfermeira, uma loura voluptuosa”.

 

Com menor ou maior impacto no xadrez político mundial, a verdade é que todas estas declarações causam algum embaraço à administração Obama. Talvez seja mesmo assim que se faz a política externa de uma super-potência, mas para o público em geral, não habituado aos bastidores destes fait divers, estas informações parecem maná caído do céu; daquele que podemos usar para juntar à lista de “porquê que os americanos são uma vergonha” e prontamente debitar numa qualquer conversa de café. Fica sempre bem. Obrigado, Julian Assange.

sinto-me: inebriado por fait-divers!
música: Supertramp- Cannonball

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publicado por Helder, em 23.11.10 às 00:23link do post | favorito

Quem me conhece, já devia imaginar que um post como este, iria eventualmente surgir no blog. Longe de mim queria elevar o status deste blog a um cantinho de geeks e tecnocratas; pretendo ser bastante simples, incisivo e pouco entediante. Confusos?! Não, não vou falar sobre a minha vida amorosa, o tema de hoje é o sistema operativo Linux.

 

Para a maioria das pessoas o conceito de sistema operativo (SO) não é bem claro e continua a ser sinónimo de Windows, a galinha dos ovos de ouro de uma certa empresa de Redmond. Para uma percentagem bem mais reduzida o conceito é mais familiar e foi o que os levou a comprar computadores de uma empresa de Cupertino com nome de fruta. Para uma ainda mais ínfima percentagem, o Linux é o sistema de eleição que não pertence a empresa alguma, tem como mascote um pinguim ligeiramente obeso e foi criado por um estudante finlandês nas horas vagas. A esta ultima minoria, eu desde já saúdo e dou as boas vindas, os meus camaradas de “luta”.

All hail Tux, the King!

 

O Linux começou em 1991, o que faz dele o mais jovem dos três grandes SO's (Mac, Linux e Windows), quando um estudante da Universidade de Helsínquia chamado Linus Torvalds, constatou que precisava de um sistema operativo para os seus trabalhos académicos e os disponíveis na altura eram simplesmente demasiado caros para um mero estudante. Por isso nada melhor que arregaçar as mangas e começar a criar o seu próprio.

 

Claro que não começou do zero, e por isso o Linux é baseado em Unix e Minix, ou seja, traduzido para leigos, tem uma base sólida como rocha que assenta em sistemas antigos do tempo em que os computadores ocupavam edificios inteiros, usavam ampolas de vácuo e cartões perfurados e os primeiros bugs eram mesmo insectos que habitavam dentro da colossal maquinaria e por vezes davam algum transtorno aos engenheiros. O Unix em particular ,que também é a base do afamado MacOS da tal empresa com nome de fruta do pomar, é responsável pela estabilidade, flexibilidade e rapidez a que estes sistemas nos habituaram. O Linux (e o MacOS) tem os melhores alicerces com que um SO poderia sonhar.

 

Como o próprio Linus afirmou uma vez, esta brincadeira de crianças começou como um passatempo, e só para geeks. Nunca passou pela cabeça ao jovem Linus fazer dele um negócio e ficar milionário, nem tão pouco que seria intuitivo de usar pelo comum dos mortais que adora ícones e janelas e foge de uma linha de comandos como o diabo da cruz. Durante muito tempo permaneceu um projecto amador e inacessível ao comum utilizador, mas hoje em dia é a base de negócios bem rentáveis, de empresas multinacionais, e tornou-se de utilização mais trivial ainda que o seu congénere de Redmond.

 

O Linux é gratuito para qualquer pessoa usar e modificar, desde que deia crédito ao criadores originais, facto pelo qual existem dúzias de diferentes distribuições que respondem a diferentes necessidades. O seu código é aberto para qualquer programador competente o ver, não é nenhum segredo de estado ao contrário dos sistemas das empresas de Redmond e Cupertino. Existem, no entanto empresas como a IBM, a Novell, ou RedHat que “vendem” Linux, o que pode parecer um contra-senso. Mas não é; A IBM por exemplo vende servidores ou supercomputadores para o mercado empresarial que usam Linux, a Novell fornece contratos de assistência técnica a empresas que querem um bom SO, mas não podem perder eles próprios tempo a tentar resolver qualquer problema técnico que eventualmente surja e a RedHat especializa-se em criar sistemas bastante específicos e fiáveis para uma clientela com necessidades bastante especificas e exigentes – o seu maior cliente é o exército dos EUA, por exemplo.

 

Mas para o vulgar utilizador doméstico, sim caro leitor, o sistema do pinguim existe em diversas variantes (distribuições) e quase todas de borla. E a assistência técnica também, se a soubermos procurar. Em vez de ligar para uma qualquer linha de suporte técnico, temos fóruns, canais de chat e claro o incontornável Google. Em suma, existe muito geek bem intencionado disposto a ajudar por essa Web fora.

 

Já falei que o SO é de código aberto, que para os fins que nos interessam é totalmente gratuito, mas ainda não muito do que realmente o distingue dos seus congéneres comerciais: A liberdade que temos ao usá-lo. Liberdade que começa pela escolha de uma distribuição. As mais importantes para uso doméstico (no seu PC ou mesmo no seu Macintosh, que marketing à parte é um PC à mesma!) são Ubuntu, Fedora, OpenSuSE, Mandriva, PCLinuxOS, Sabayon, MEPIS, Debian, Arch, Puppy ou mesmo o nosso Caixa Mágica, portuguesinho de gema. Eu,pessoalmente uso o Mint que é um derivado da distribuição Ubuntu. Uma distribuição não é mais que uma refeição prête à manger com uma selecção de alguns dos melhores softwares de código aberto juntos para formar um sistema coeso e completo. Pois no mundo do Linux, existem sempre alternativas a um software. Um exemplo flagrante são os ambientes gráficos (desktop environments) como o Gnome e o KDE, pois algumas distribuições vem com um determinado ambiente e outras com outro. Caso use Mac ou Windows não está habituado a fazer tal escolha. O seu Windows tem uma barra de tarefas no fundo, um botão iniciar e ícones na esquerda, enquanto o seu Macintosh tem uma dock com os ícones das suas aplicações favoritas no fundo, uma barra para exibir os menus das aplicações no topo e ícones à direita. Não devo estar muito longe do seu ambiente de trabalho actual, pois não? Tem claro algumas opções de personalização mas que são limitadas porque o software que trata do aspecto do seu ambiente de trabalho é uno com o SO e não pode substituí-lo por uma alternativa. No reino do pinguim, isso não acontece porque lá no fundo o Linux não deixou de ser a linha de comandos que era há quase vinte anos, simplesmente escondeu essa faceta feia e antiquada com diferentes máscaras, ou seja ambiente gráficos, que definem a forma como interage com o sistema e são radicalmente diferentes, o que torna difícil que eu consiga adivinhar o aspecto seu ambiente de trabalho tão facilmente como fiz ainda há pouco. Nunca terá de lhe ver a verdadeira cara, deixe-se deslumbrar com as máscaras e as infindáveis possibilidades.

Um exemplo do ambiente KDE Um exemplo do ambiente Gnome

Ambientes KDE e GNOME, respectivamente. Há grande variedade no ecossistema do pinguim.

 

 

 


Isto tudo para dizer que actualizei o meu Linux Mint 8 (nome de código: Helena) para a versão 10 mais recente ( Julia).Como me alongo tanto a escrever quando o tema é tão fascinante!


Adeus Helena, serviste-me bem mas a tua hora chegou. Bem-vinda Julia, o futuro pertence-te.

sinto-me: Muito geek..mas não sou,porra!
música: Moby - Bodyrock

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publicado por Helder, em 12.11.10 às 18:36link do post | favorito

Eu poderia dizer que apesar dos arautos de liberdade que este nosso séculozito XXI parece ter atingido, vivemos numa distopia Orwelliana camuflada, numa realidade controlada ao mais ínfimo detalhe para nos manter na corrente de pensamento vigente, sem dar-mos por isso e vivermos incautos e felizes as nossas existências.

 

Podia, mas soaria demasiado cliché, a ideia já não é nova e o filão já deve ter sido suficientemente bem explorado pela literatura, música, cinema e demais artes. Para além que, de facto não acredito verdadeiramente nisso. Contudo gosto sempre de idealizar cenários hipotéticos e quanto mais sombrios melhor.

O livro “Nineteen Eighty Four” de George Orwell é uma referência incontornável na minha modesta prateleira. Orwell, homem de vincadas convicções políticas, imaginou uma sociedade autoritária, na qual o poder (como aliás, em qualquer outra) era obtido pela combinação do medo, ignorância e ódio.Mas a IngSoc leva as coisas ainda mais longe do que qualquer regime que exista. Ao lado deles, Mao Tse-Tsung, Estaline e compinchas são uns meninos. Não se limitam a controlar os actos dos seus concidadãos, aventuram-se também nos pensamentos. Ao providênciar a figura do grande líder que todos devem amar (O Big Brother, e depois há gente que estranha que eu não goste do programa!), e o mesquinho rival para odiar (Goldstein), para além de um nova língua (o Newspeak) que pretende ser o mais simples possível e eliminar toda e qualquer palavra que remeta aos conceitos de resistência, liberdade e similares e até a repressão do próprio instinto sexual, exercem um controlo total no espírito crítico, que qualquer um prontamente nega as leis da Física de um dia para o outro, a história é reescrita como ao Big Brother aprouver sem qualquer objecção. 2+2 hoje podem ser 5 e amanhã 6. Aliás, amanhã todos jurarão a pés juntos que 2+2 sempre foi 6, nunca na vida 5, quanto mais 4. O ser humano deixa de o ser para passar a ser uma amorfa multidão em falsa concórdia, uma espécie de gado.


Em todas as casas, pelo menos um tele-screen. Ou mais. É melhor e o Big Brother gosta mais de ti. O malfadado dispositivo idealizado por Orwell, tem duas grandes finalidades: emissão televisiva constante com propaganda (e não, não pode ser desligado nem mudar o canal!) para a rotineira lavagem cerebral, e controlo e vigilância 24h por dia, fruto da câmara e microfone incorporado. O fim da privacidade. Só é pena que ainda não leia os pensamentos, mas eventualmente os engenheiros do Big Brother lá chegarão.


E aproxima-mo-nos assim do busílis da questão: A privacidade que deixou de existir em Airstrip One, Oceania, 1984, também nesta primeira década do novo século está a desaparecer. E por voluntária vontade dos comuns mortais, devo acrescentar. Sim, meus amigos, é agora que vou dizer mal do Facebook!

 

O Facebook não é a primeira rede social da Web, mas é a primeira que atinge proporções mediáticas tão grandes, que me começo a questionar se o mundo não estará a ficar louco. Essa coisa -tenho que reconhecê-lo- causou a maior agitação por toda a World Wide Web desde a introdução do conceito da Web 2.0 e nem o Dalai Lama, nem a rainha Isabel II parecem escapar a esta febre pandémica, que a meu ver se afigura como uma ameaça mais séria à ordem mundial que a gripe suína. Nos dias que correm, toda a gente “tem” que ter um perfil na coisa, caso contrário passa a ser uma anomalia no sistema, um glitch incómodo à espera de ser solucionado. Porque a pergunta que eu faço é “Por que raio devo eu ter Facebook?” e a restante matilha pergunta exactamente o oposto, “Porque raio é que não hás-de ter Facebook?”. E assim temos milhões de pessoas viciadas em “likes”, em "walls", em álbuns de fotos de momentos entre amigos partilhados com uma audiência de milhões, em jogos que de tão básicos, pouco desafiantes e desinteressantes recuso-me a reconhecê-los como jogos com jota grande, e sei lá que mais. No meu tempo havia formas tão interessantes de se perder tempo em frente a um computador! Como não sou utilizador da dita rede, posso olhar para ela com algum distanciamento, e de facto quando vejo “through the looking glass” não me parece ver uma rede social, mas uma massiva base de dados de detalhes insignificantes por si só, mas que no compto total, permitem estabelecer tendências e padrões sobre todos nós, um útil catálogo para qualquer empresa de consultoria, marketing ou mesmo governos e suas agências dúbias. O CIA World Factbook parece coisa do passado, e as teorias da conspiração absurdas que a NSA tentava controlar e espiar por toda a Internet ganharam uma nova forma no presente. Eles agradecem a todos vós por terem agregado tamanha base de dados num só local, o que lhes facilitará a tarefa. Se vivemos na sociedade da informação, e informação é poder, porque soará tão estranho ao meus caros leitores, que a informação seja a nova divisa? Pois ela é deveras a nova moeda, da qual inadvertidamente resolvem abdicar e oferecer ao Sr. Mark Zuckerberg, fazendo dele o mais jovem bilionário de sempre.

 

Haverá ainda privacidade? Terá a influência do Facebook limites? Estará neste momento uma agência governamental de contornos turvos a construir um supercomputador do tamanho da Escola de Ciências da U.Minho para avaliar o coeficiente de correlação de pessoas que excluem a carne de porco da sua dieta e gostam de construir engenhos nucleares artesanais como passatempo? Será este post todo uma parvoíce pegada? São tudo questões a carecer de uma boa resposta. Existe porém uma certeza reconfortante: O Big Brother ama-nos e nós a ele!

 

Nineteen Eighty-Four

Ladies and gentlemen, without a safety net,

I shall now perform an Orwellian flip-flop,

I shall now amputate, I shall now contort,

Because down is the new up! What is up, buttercup?

 

 

 

 

 

 


sinto-me: muito filosófico...
música: The Velvet Underground- Femme Fatale

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